Caso: triplicar o run-rate de receita na Assembly
Duas pessoas de vendas, sem processo nem métricas. O que mudou para triplicar o run-rate de receita num ano — e porque o maior destravamento foi operacional, não comercial.

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Na Rovo fui SVP Revenue & Operations, com responsabilidade sobre receita, operações, finanças e estrutura organizacional no negócio da Assembly — merchandising premium, produção de moda e serviços assentes em tecnologia.
A situação
Havia uma função comercial, tecnicamente. Duas pessoas em vendas.
O que não havia era um sistema à volta delas: nenhum processo definido, nenhumas métricas dignas desse nome, e nenhum controlo sobre o que acontecia entre a chegada de um lead e o fecho de um negócio. Duas pessoas competentes aguentam esse arranjo durante algum tempo. Não é escalável e, mais importante, não é diagnosticável — sem métricas, cada mau trimestre tem tantas explicações quantas as pessoas na sala.
O que estava realmente partido
O instinto nessa posição é contratar mais comerciais. Teria sido a primeira jogada errada, e vale a pena ser preciso sobre porquê.
O problema não era falta de capacidade para trabalhar leads. O problema era o que acontecia aos leads depois de chegarem. O contacto corria por email, ao ritmo do email — ou seja, devagar, de forma assíncrona, e com uma distância longa entre o momento de interesse do comprador e qualquer resposta humana.
A intenção de compra decai depressa. Um lead que recebe um email ponderado dois dias depois é um prospeto diferente, e muito mais frio, do que o mesmo lead com uma pessoa ao telefone dentro da hora.
O que mudou
O workflow de contacto com leads, primeiro. Passámos de contacto por email para pessoas a responder depressa e a agendar reuniões. É a mudança que apontaria como o maior destravamento — e é uma mudança operacional, não comercial. Ninguém passou a vender de outra maneira. Mudou o processo à volta de vender, e o mesmo pipeline começou a converter de forma diferente.
É o padrão a que volto sempre: problemas de receita são frequentemente problemas operacionais disfarçados de comerciais. Se tivéssemos respondido ao crescimento lento contratando, teríamos acrescentado pessoas a um workflow que perdia intenção pelo caminho, e obtido uma fuga maior e mais cara.
Depois estrutura, depois escala. Com processo e métricas no lugar, crescer em pessoas passou a fazer sentido. Herdei uma equipa de 20 e contratei mais 20, acabando com mais de 40 pessoas entre funções — mas a estrutura veio antes das contratações, e é por isso que cada contratação valeu mais do que a mesma teria valido seis meses antes.
O que aconteceu aos números
Ao longo de um ano, o run-rate de receita triplicou. As componentes são mais úteis do que o número de capa:
- Valor médio por encomenda +40%. Melhor qualificação e uma estrutura comercial mais clara, para que as conversas certas acontecessem com os compradores certos.
- Novos clientes +100%. Resultado direto da mudança no workflow de contacto — o mesmo topo de funil, convertido muito melhor.
- Retenção +10 pontos percentuais. A parte que compõe. Melhorias de retenção não aparecem de forma dramática em nenhum trimestre isolado, e valem mais ao longo do tempo do que qualquer uma das outras duas.
Três alavancas diferentes, a puxar em conjunto. É normalmente nisso que um triplicar consiste — não numa mudança heroica, mas em várias que compõem e que isoladamente parecem modestas.
O que se transporta
Meça a distância entre interesse e resposta. É uma das métricas menos glamorosas de um negócio e frequentemente uma das mais consequentes. A maioria das empresas nunca a mediu.
Corrija o workflow antes de lhe acrescentar pessoas. Headcount multiplica o sistema que existe. Se o sistema perde, comprou uma fuga maior.
Olhe para as componentes, não só para o total. "A receita triplicou" não diz nada sobre se vai continuar a triplicar. AOV, número de novos clientes e retenção têm causas diferentes e durabilidades diferentes — e só uma delas compõe.
Tem um desafio operacional?
Se o crescimento estagnou e a resposta óbvia é contratar mais comerciais, vale a pena medir o que acontece a um lead na primeira hora antes de decidir.
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